
Escolher o profissional envolve diferentes parâmetrosEscolher o psicoterapeuta para confiar uma parte íntima de si mesmo, a fim de que ele nos ajude a superar uma dificuldade ou a resolver nosso problema, não é uma tarefa fácil. Porque fazer essa escolha é questionar a eficácia de uma psicoterapia: como isso funciona? o que faz você obter resultados? Como se vê isso? por que um psicólogo seria adequado para essa pessoa e não para outra? : é essencial poder confiar nele, sentir-se à vontade e, claro, garantir que ele tenha as competências para nos ajudar da melhor forma. Já é necessário decidir dar o passo de um primeiro contato e saber como navegar pela selva de profissionais para entender quem faz o quê e como. Psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas e outras denominações. Além da pessoa, também surge a questão do método utilizado e, portanto, do tipo de terapia. A lista é longa e não exaustiva: psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, hipnose, terapia, EMDR… Então, com quais critérios escolhemos a pessoa que cuidará de nossas preocupações? E devemos escolher uma pessoa ou um método?
Cada psicoterapia tem suas especificidades: dependendo da abordagem teórica da qual ela deriva, não terá o mesmo método de trabalho e não utilizará as mesmas ferramentas ou maneiras de fazer as coisas. A questão da eficácia dos diferentes tipos de psicoterapia levou a muitos estudos, que compararam os resultados obtidos em pacientes segundo os diferentes métodos empregados. Para sua surpresa, 85% do sucesso de uma psicoterapia se deve a fatores independentes do método utilizado ou da teoria subjacente! E estudos mostram que, independentemente do método empregado, o sucesso de uma psicoterapia repousa essencialmente em duas coisas: a aliança terapêutica (ou seja, a relação do paciente com seu terapeuta) E a motivação do paciente.
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1/ Relação:
Uma boa relação implica sentir-se à vontade e confiante com seu psicoterapeuta, é o que chamamos de aliança terapêutica. Porque é a qualidade da relação que faz a psicoterapia ser bem-sucedida e sem ela, será impossível avançar. Aliás, isso é algo que também observamos na escola. Quando perguntamos a uma criança qual é sua matéria favorita, ela citará aquela que lhe foi ensinada por sua professora favorita. Quanto mais um aluno se dá bem com sua professora, mais chances ele tem de ter sucesso. Porque aprendemos com alguém por quem temos apreço e pela relação que ele estabeleceu, não pelo que ele sabe. Na psicoterapia, é a mesma coisa: se a conexão existe, o trabalho realizado será muito mais bem-sucedido.
2/ Motivação:
Eu não me engano ao acreditar nos benefícios da psicoterapia que seriam impostos por um terceiro. Se você quer que algo mude em sua vida, então deve encontrar em si mesmo a motivação necessária para consultar, ser assíduo e regular nas sessões. Você não faz psicoterapia para “agradar” a alguém ou porque se sente ameaçado. Iniciamos um processo porque queremos ou porque chegamos a um desconforto tal que queremos absolutamente sair dele.
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3/ Benevolência:
É um conceito essencial para todas as relações de cuidado e você deve se certificar de que seu terapeuta possui isso. A bondade não é a gentileza ou a “terapia do abraço”. A benevolência é o respeito pela integridade do paciente. É ser capaz de encorajar uma pessoa. É permitir que ela concorde ou discorde, veja as coisas de forma diferente, dê sua opinião ou interrompa o processo de terapia. É dar a ela a plena dimensão de sua liberdade como indivíduo. Também permite que ela cometa erros, que não consiga por enquanto, que lhe diga que está “tudo bem”, no sentido de que é humano. Como dizem os anglosaxões através do conceito de “okness”: estar triste é ok, ter medo é ok, não ter sucesso sempre também é ok.
4/ Controle do processo:
isso pode parecer óbvio para alguns, mas é fundamental ter a sensação de que você controla o que acontece durante a sessão. Um psicólogo não tem o direito de tomar o controle de seu paciente, fazê-lo fazer algo que ele não quer, ou estabelecer uma relação de poder. Ele não tem o direito de fazer isso, no entanto, apenas você pode garantir que a relação entre você e ele seja saudável e equilibrada. Ouça-se e preste atenção ao seu sentimento. Se você tiver alguma dúvida, essa não é a pessoa certa.
5/ A escolha das palavras:
um bom psicólogo presta atenção às palavras que utiliza. Um psicólogo que pesa suas palavras é alguém que já começa a cuidar de você porque as palavras têm um impacto significativo na vida das pessoas. Cuidado com comentários negativos que, de alguma forma, levam a comportamentos negativos. Se você disser a alguém para “não ficar ansioso”, ou “não estressar”, há boas chances de que ele insista exatamente nisso. Um médico que diz “cuidado, isso vai doer” irá feri-lo irremediavelmente. E a todos os psicólogos que ordenam para soltar, uma expressão de imposição que pode ser muito estressante quando não se consegue, eu prefiro o termo “deixe vir”, como diz o Dr. Philippe Aim em seu livro Ouça, Fale: Cure. Aceitar deixar as coisas virem, aceitar ser atravessado por eventos dolorosos, aceitar até mesmo emoções negativas é muito mais eficaz do que se dar a si mesmo — a ordem de soltar.
6/ Por fim, pergunte ao seu psicólogo questões:
Sobre seu caminho de trabalho, formação e prática. Não hesite em reservar um tempo para refletir antes de se comprometer com um processo, ou até mesmo encontrar outros psicólogos para comparar a sensação que você pode ter com um ou outro.
Por fim, não se esqueça de uma coisa. Antes de ser psicólogo, seu psicólogo foi o primeiro, e ele é frequentemente o paciente de alguém mais. Porque muitas vezes, por trás, o que o levou a querer ajudar os outros e encontrar respostas é sua própria história. E uma vez que ele pratica, um psicólogo está sob constante supervisão com outro psicólogo para verbalizar o que pode sentir sobre o que ouve, para ser informado de um interrogatório e se questionar repetidamente em sua prática.
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Tag: como ser psicólogo